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Onde a segurança empresarial poderia ter agido para evitar a tragédia na fábrica da Bombril? A resposta vai além do senso comum.

bragaluis855
3 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 4 de ago.

O caso envolvendo a morte de 3 funcionários por um terceirizado em surto na fábrica da Bombril em São Paulo no sábado, dia 1° de agosto, tem tudo a ver com segurança empresarial, embora poucos consigam diagnosticar o problema e apontar todas as possíveis consequências, inclusive para a imagem da empresa. De qualquer forma, independente dos riscos psicossociais trazidos à tona pela NR1 que já está em vigor, é necessário cautela no que tange a contratação de terceirizadas, considerando que nessas condições, não é possível ter controle total relativo a detalhes de suma importância para evitar conflitos, como condições de trabalho ou salários abaixo da média oferecida pelo mercado, contrastando muito com a situação da companhia e gerando rivalidade entre colaboradores e terceirizados.


Não obstante, a empresa precisa incentivar delações, bem como se dispor a receber, apurar denuncias, investigar e punir práticas de assédio que possam resultar em ocorrências, se antecipando a elas. Aliás, Due diligence (investigação que antecede relações comerciais visando identificar riscos) é de suma importância aqui, sobretudo no que tange a reunião de dados referentes a ações na justiça do trabalho e relação da terceirizada com seus empregados. Tudo isso é fundamental para se evitar a eclosão de crises que coloquem em risco não apenas a saúde financeira e situação legal, mas também a reputação da organização, tão importante em tempos de interconectividade onde as informações trafegam em milésimos de segundo por milhares de dispositivos em tempo real, sem respeitar fronteiras, a veracidade dos fatos e muitas vezes, nem mesmo a segurança.


A propósito, nem sei como está planejada a vigilância patrimonial da fábrica da Bombril (se é que há alguma), mas no geral o vigilante pode pensar assim durante ocorrências com faca: "ganho pouco pra arriscar minha vida"... principalmente em locais com grande concentração de pessoas onde armas de fogo são impróprias. Portanto, além de prezar pela análise de riscos a fim de alocar meios adequadamente, as empresas de segurança também precisam apertar os processos de recrutamento e seleção visando garantir a contratação de vocacionados dispostos a agirem com denodo perante situações de risco. A título de ilustração, não faz muito tempo que o grupo Carrefour se recuperou de uma onda de casos de racismo envolvendo funcionários de empresas de segurança terceirizadas por intermédio da estruturação de um departamento orgânico.


E por falar nisso, nessa área, é bastante comum que as empresas se preocupem em disponibilizar assessoria jurídica para casos envolvendo excessos cometidos por vigilantes e demais profissionais de segurança, sem se atentar para uma conscientização prévia a respeito da importância que os ativos intangíveis, como a imagem, têm para os negócios, bem como as consequências negativas que um escândalo pode causar para ele. A recente suspensão de lotes dos produtos Ypê pela Anvisa e toda a repercussão nacional também reflete as mudanças que a conectividade do mundo atual causou na segurança: necessidade de integração, pois foi-se o tempo onde as disciplinas de risco podiam ser gerenciadas de forma isolada, tendo em conta que hoje elas impactam umas às outras.


Levando em consideração os casos em questão, que outrora poderiam ficar restritos a repercussões na esfera legal, nos dias atuais eles podem gerar consequências reputacionais, podendo impactar ainda mais severamente a empresa em vários campos, demandando abordagem multidisciplinar de gerenciamento de riscos e crises, seja por meio de assistência jurídica, financeira ou comunicacional, exigindo sinergia entre gestão de riscos de compliance no que se refere a normas regulamentadoras de segurança do trabalho (NRs), e de imagem. O fato é que, atualmente, a maior parte das corporações conservam uma visão antiquada a respeito de segurança empresarial, achando que essa função deve se restringir a prevenção de crimes patrimoniais como roubos e furtos, muitas vezes não sabendo como diagnosticar as reais causas de uma tragédia como essa de São Paulo, tampouco sabendo como implementar controles efetivos após uma crise, comprometendo a resiliência do empreendimento.


Por fim, é bem comum que o termo hiperconectividade remeta apenas aos riscos derivados da ciberdependência; longe de mim discordar, dada a importância que uma cibersegurança integrada à física tem para garantir o funcionamento ininterrupto de sistemas críticos e vitais para o negócio em um mundo onde os dados trafegam globalmente entre empresas e países e que inclusive, correm riscos relacionados até mesmo com espionagem e sabotagem de infraestruturas de cabos submarinos. Contudo, esse conceito vai muito além disso, trazendo uma série de outros riscos já abordados em postagens anteriores relacionados com reputação, competitividade, desigualdade e transformações no mercado de trabalho, sendo fundamental que as corporações abordem esse tema de uma forma holística.


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