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O que é “interferência externa”?

bragaluis855
17 de set.
2 min de leitura

A expressão "interferência externa" tem estado em voga atualmente e de fato, parece ser fruto de teorias da conspiração, contudo ela está bem disposta no decreto n°8.793 que estabelece a Política Nacional de Inteligência (PNI), sendo descrita como: "a atuação deliberada de governos, grupos de interesse, pessoas físicas ou jurídicas que possam influenciar os rumos políticos do País com o objetivo de favorecer interesses estrangeiros em detrimento dos nacionais".


Nesse cenário, já comentei mas vale repetir, o Brasil é um verdadeiro playground para serviços de Inteligência do exterior, pois temos muita gente influente e funcionários públicos de rabo preso (corruptos) e gananciosos dispostos a cooperar deliberadamente, bem como vulneráveis a chantagem. Assim, não adianta investir milhões em segurança e defesa cibernética quando há tanta gente que pode ser forçada a contribuir em troca de silêncio; propensa a agir contrariamente aos interesses nacionais ou para obter benefícios financeiros.


Um bom exemplo disso são os jornalistas no Brasil que, com liberdade para espionar, recrutam fontes e se valem de privilégios funcionais de várias pessoas para obter informações sigilosas. Como não citar também, membros de facções criminosas utilizando credenciais vazadas para manipular sistemas oficiais? Por isso, ao meu ver, continuaremos vulneráveis caso não haja uma estrutura imbuída de legitimidade para apurar, punir desvios de conduta e encaminhar aos órgãos competentes, indícios de crimes tipificados dessa natureza, neutralizando ameaças e conscientizando acerca das boas práticas de segurança da informação e contrainteligência.


Aliás, a recente crise do Supremo Federal Federal reflete muito como as pessoas no Brasil são ignorantes quando o assunto é Inteligência e Contrainteligência, pois ninguém sabe diferenciar um relatório de Inteligência e de investigação, tampouco compreende como essa atividade é fundamental para a segurança pública e privada, além de pessoas e países. Apesar disso, ainda há quem minimize a atual relevância geoestratégica do Brasil considerando nossa posição privilegiada em termos de reservas de terras raras, minerais críticos e estratégicos, bem como a importância desses recursos em tempos de corrida pelo domínio tecnológico, sobretudo da IA, que nos torna alvo da disputa de poder de várias nações.


Para finalizar o tema, obviamente tudo isso é reforçado por uma imprensa que não está nem de longe sob os olhos de uma fiscalização tão rígida, e política, quanto a exercida pela comissão mista de controle da atividade de Inteligência (CCAI), composta por lideres da maioria e da minoria da câmara e do senado (Lei n°9.883/1999). Isso posto, como não se indignar com o atual modelo de Inteligência de Estado no Brasil, que restringe nossa Inteligência que deveria ser pró-ativa na atuação contra ameaças ao Estado Democrático de Direito?


 
 
 

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