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Inteligência não é espionagem, tampouco exige dados negados.

bragaluis855
há 4 dias
3 min de leitura

Tem gente que acha que conhecimento de Inteligência precisa necessariamente ter dados negados, mas isso não é verdade. A título de ilustração, é possível produzir relatórios de análise de ameaças e riscos apenas com base em informações públicas extraídas e analisadas com Microsoft Excel, Rstudio, Gephi ou Python. Aliás, a partir dos dados disponibilizados pelo ISP (instituto de segurança pública) aqui do Rio de Janeiro, se pode montar tabelas e inserir gráficos e interpretações nos relints (relatórios de Inteligência) acerca da alteração dos índices criminais ao longo de toda uma série histórica, bem como prever a evolução dos indicadores no tempo visando formar cenários fundamentais para a boa alocação dos limitados recursos de segurança.


Isso pode ser feito estatisticamente por intermédio de projeções, bem como da análise das inclinações dos atores com poder de decisão sobre as questões de segurança que permeiam um negócio, alinhando informação qualitativa e quantitativa, além da avaliação do modus operandi, das capacidades, das intenções dos criminosos e das quadrilhas especializadas atuando na região. Isto é, avalia-se informações públicas acerca da trajetória profissional, bem como da formação e das orientações políticas ou partidárias das pessoas capazes de mudar os rumos da segurança pública através de suas escolhas, como membros do poder judiciário, governadores, secretários de segurança, comandantes, delegados de polícia e lideranças criminosas visando antecipar e prever o impacto de suas decisões futuras.


Logicamente, tudo depende da natureza do empreendimento, pois alguns setores demandarão mais operações externas, exigindo georreferenciamento (mancha criminal), outros estarão mais suscetíveis a ameaças digitais e fraudes financeiras, como startups de tecnologia e Fintechs, mudando totalmente o escopo do trabalho no quesito técnicas de coleta, análise e interpretação. Vale ressaltar também que relatório técnico e relatório de Inteligência são documentos diferentes. Acontece que o relatório técnico existe na Doutrina de Inteligência de Segurança Pública pois também cabe a essa função, dar suporte às atividades operacionais da polícia judiciária (Civil e Federal), incluindo investigações, daí surge a confusão entre uma atividade e outra.


Nesse sentido, o relatório técnico se trata de um expediente excepcional em situações onde no curso das operações de Inteligência Policial, são produzidas informações importantes para a elucidação de um crime, como por exemplo, na campana, na análise de vínculos ou na interceptação telemática ou ambiental. Mesmo assim, para se recorrer a meios exclusivos da inteligência de polícia judiciária (infiltração, entrada, interceptação telefônica, etc), é necessário autorização judicial, além do material produzido precisar ser submetido à análise pericial para confecção de laudos. Logo, não se pode confundir relatório de Inteligência (relint) com outros documento de Inteligência, tampouco com investigação criminal.


Em resumo, enquanto o investigador passará a maior parte do tempo realizando diligências, o profissional de inteligência estará monitorando ou prospectando oportunidades de negócios e riscos, apontando linhas de ação e fazendo recomendações estratégicas a fim de garantir a tomada de decisão mais acertada por parte do seu cliente. Dessa forma, esta postagem teve como objetivo desmistificar os relatórios de Inteligência, pois na maior parte das vezes eles são produzidos por meio da análise de informações públicas, como mídias sociais, portais de transparência e conteúdos da imprensa nacional e internacional submetidos a técnicas de avaliação de dados abertos (osint ou Inteligência de dados), não justificando operações de Inteligência.


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