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Gerenciamento de crises e continuidade de negócios em contrainteligência.

bragaluis855
15 de jul.
3 min de leitura

Atualizado: 18 de jul.

Eu já peguei uma pessoa infiltrada em um canteiro de obras, talvez para fotografar projetos ou fazer coisa pior. Pelo princípio da necessidade de conhecer, não fui informado sobre o andamento do caso, mas na ocasião, sinalizei devido a falhas na EC (estória cobertura). Ele aparentava ter grau de instrução alto. Além do mais, parecia não ter vivência tampouco competências nas áreas das quais tinha sido contratado para desempenhar. O ambiente também não tinha qualquer controle de acesso para celulares e câmeras, apesar da proibição.


Muitos empresários não sabem, mas alguns ambientes são "grampeados" ou comprometidos de outra forma durante a construção a fim de obter dados ou causar desastres depois do trabalho entregue, por isso, o risco para certas instalações é muito alto até mesmo durante a edificação. Em consequência, nas corporações comprometidas com a atividade de Inteligência, a contrainteligência é acionada sempre quando há desastres ou desabamentos em estruturas críticas visando investigar indícios de sabotagem, podendo exigir a contratação de assessorias em engenharia civil ou mesmo um time de peritos internos.


Isso ocorre pois, como vimos nas minhas postagens a respeito de gestão de riscos, contrainteligência e investigação corporativa, atos de espionagem e sabotagem podem se manifestar por intermédio de fraudes e causar danos severos a imagem, bem como as estruturas de uma instalação. A título de ilustração, posso citar fraudes e corrupção em auditorias externas de grandes construções capazes de provocar tragédias e até mesmo incêndios provocados por falhas intencionais de manutenção, comprometendo infraestruturas de dados e informações sobre projetos em curso.


Aliás, até o terrorismo entra nesse imbróglio se levarmos em consideração intoxicações e envenenamentos coletivos por meio da contaminação de depósitos de agua, comidas e bebidas. Como não citar também riscos de comprometimento de centrais elétricas, gás e processamento de dados? Ou pior, imagine uma companhia de petróleo que se vê diante de um derramamento de óleo por fraude, inobservância de protocolos ou normas? Para todos os casos, independente das medidas tomadas para se abordar os riscos, a empresa deveria ter um plano para lidar com as emergências.


Com isso em mente, nenhum processo é imune a fraudes, por mais que nos empenhemos para reduzir as chances de que algo de ruim ocorra. Dessa forma, é necessário priorizar os riscos de maior expressividade e se preparar para cenários de crise inesperadas provocadas por eles. Nos casos citados anteriormente, os gestores precisariam de planos que contemplassem variáveis e simulações aleatórias aplicadas com base em modelos de risco visando estimar a probabilidade dos referidos infortúnios, bem como a extensão dos danos e das perdas para o negócio.


Tudo isso seria fundamental para a criação de estratégias visando a redução do impacto e recuperação das atividades normais para a empresa. Nas circunstâncias citadas em torno de incêndios capazes de afetar infraestruturas de dados, poderiam ser criadas cópias de segurança, bem como contratos comerciais para substituição de equipamentos e apólices de seguros. De qualquer forma, o gerente de riscos precisa estar a par de todos os cenários possíveis visando orientar sua equipe de gerenciamento de crises acerca das medidas emergenciais.


Em suma, crises podem ser evitadas, mitigadas ou mesmo gerenciadas nas empresas desde que diretrizes de compliance sejam cumpridas em relação à ética, regulamentações, políticas e regras que devem ser seguidas à risca por todos os funcionários. Por outro lado, a corporação deverá ter um plano que abarque diferentes cenários de crise e as ações a serem tomadas. Deverá também apontar um porta voz para caso o evento atraia a atenção do público externo, além de ser de suma importância o monitoramento da reputação da empresa, bem como atualizar e garantir que informações corretas sejam divulgadas aos clientes e demais envolvidos. Saiba mais: Qual a diferença entre gerenciamento de crises e continuidade de negócios?


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