Qual a relação entre Gestão de Riscos de Fraude e investigação empresarial?
Atualizado: 15 de jul.
Eu estive falando bastante a respeito de investigação corporativa e a importância desse processo para a contrainteligência. Contudo, há uma maneira mais eficiente de se evitar fraudes em uma corporação, fechando brechas e evitando que a empresa continue apenas enxugando gelo. Esse processo se chama Gestão de Riscos de Fraude e pode ser aplicado em corporações de qualquer porte. Hoje no entanto, o foco será oferecer um método prático e adaptado de implantação em pequenos negócios de acordo com a ISO 31.000, combatendo desvios de conduta na raiz.
Nesse sentido, o que seria mais importante? Identificar um colaborador responsável por furtos, ou realizar a simples contagem regular do estoque a fim de evitar perdas no almoxarifado e sindicâncias excessivas para tratar ocorrências que, no geral, não corrigem falhas? Por isso, é fundamental que todos os gestores corporativos sejam envolvidos nos processos preventivos e estejam munidos de ferramentas que permitam o controle do patrimônio. Isso exige a identificação prévia dos riscos e preparação da empresa para investigações.
A propósito, eu mesmo já atendi uma empresa em que ferramentas estavam sendo jogadas por cima dos muros ou sendo repassadas pelos alambrados perimetrais frequentemente sem que houvesse qualquer circuito fechado de televisão (CFTV) monitorando por perto. Nesse caso, o controle de acesso apenas cuidava para que ninguém saísse transportando coisas de valor visivelmente, escancarando a falta de processos e medidas de segurança baseadas em riscos. Na certa, o gestor responsável sequer tinha conhecimento da vulnerabilidade.
Isso serve como estudo de caso de como a segurança empresarial precisa estar alinhada com todas as gerencias da corporação através da identificação de riscos de fraude em todos os setores (finanças, marketing, tecnologia da informação, recursos humanos, jurídico, comercial, etc). Mas como fazer isso na prática? É muito simples, basta realizar reuniões e entrevistam com todas as lideranças da companhia, bem como integrá-las na análise e gestão de riscos de fraude, sobretudo no que tange normas e legislações que atinjam o empreendimento visando desenvolver controles que não apenas permitam mitigação, mas preparação prévia para sindicâncias.
Por fim, a contratação de terceiros também deverá ser considerada observando a responsabilidade objetiva adotada pela Lei Anticorrupção. Após esse processo de identificação, será necessário classificar os riscos acerca de probabilidade e impacto (alto, médio e baixo). Além disso, a análise deverá considerar não apenas as consequências financeiras, mas também para a imagem da empresa. Esse processo deverá ocorrer com determinada periodicidade, exceto em situações especiais, como lançamento de novos produtos, negócios ou relações comerciais, sendo integrado a gestão de crises e continuidade de negócios que será tema para outro post😉
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