Por que implantar Inteligência Competitiva em Gestão de riscos?
Acho que o Brasil deveria reformular sua Inteligência de Estado, criando duas agências, uma voltada aos assuntos internos e outra para demandas externas, aos moldes do MI5 e do MI6, CIA e FBI, Mossad e Shin Bet, entre outros serviços, tendo em vista que demandas diferentes exigem efetivo e alocação de recursos distintos. Isso ocorre pois nossos interesses no exterior relacionados com competitividade, ciência e tecnologia, bem como óbices que se apresentam na forma de instabilidade econômica, tensões geopolíticas, guerras e conflitos internacionais, requerem tanta atenção quanto problemas internos... Afinal, encher o balde é tão importante quanto tampar buracos.
No entanto, na esfera privada, as empresas podem cair no mesmo dilema quando o assunto é segurança, considerando que evitar perdas vai muito além da prevenção de fraudes, roubos e furtos, exigindo informações que possibilitem a preparação da organização para eventos incertos através do bom posicionamento prévio no que tange todos os fatores da conjuntura nacional e internacional. Isso demanda mais do que a elaboração de checklists de vulnerabilidades e exige um olhar holístico voltado para fora do empreendimento. Assim, as mudanças, incertezas e competições globalizadas tornam fundamental uma abordagem estratégica pautada em Inteligência Competitiva e Riscos.
Nesse sentido, a análise de informações a respeito do mercado, visando inclusive, fazer recomendações aos tomadores de decisão a fim de que eles possam descobrir oportunidades e reduzir prejuízos, sobretudo mercadológicos, é de suma importância, e tão importante quanto isso é a proteção do conhecimento gerado, bem como dos demais ativos da empresa, fazendo com que a integração entre Inteligência e Gestão de Riscos corporativos, seja um fator crítico de sucesso (FCS). Felizmente, a metodologia de IC permite que os riscos sejam acompanhados por áreas de monitoria entre KITs e KIQs (tópicos e questões fundamentais de Inteligência).
Por outro lado, para que seja possível, é necessário que o gerenciamento de riscos faça parte do processo estratégico empresarial e conte com amplo apoio da alta administração, considerando que o surgimento da Tecnologia da Informação e da Governança Corporativa acentuou a codependência de todas as áreas. Hoje, por exemplo, uma negligência com métodos e mecanismos de detecção de fumaça e incêndio podem expor ao perigo e paralisar operações críticas por intermédio do comprometimento de datacenters, tanto quanto taxas de juros, câmbio ou mudanças no valor de mercado de commodities podem atrapalhar o retorno esperado de um investimento e afetar igualmente, a competitividade do negócio.
A título de ilustração, podemos adotar KITs (Key Intelligence Topics) em torno de mecanismos de detecção de fumaça e incêndio e acompanhar questões em formato de KIQs (Key Intelligence Questions) relacionadas com a manutenção dos equipamentos, bem como da atualização dos dispositivos através das tecnologias mais recentes disponibilizadas pelo mercado. De mesma maneira, podemos estabelecer tópicos sobre riscos de taxas de juros e monitorar questões acerca da perda de valor de mercado dos títulos públicos e privados, encarecimento de custos ou queda de taxas de reinvestimento. Contudo, todas as disciplinas de risco devem ser analisadas de forma integrada visando avaliar o impacto de uma sobre a outra, possibilitando a geração de informações estratégicas para a alta gestão.
Em resumo, o objetivo da implantação da Inteligência Competitiva na gestão de riscos é possibilitar que a organização possa prevenir riscos, oportunidades e se antecipar às crises, considerando que identificar e gerenciar incertezas é se preparar para o futuro. Porém, por arriscar fazer parte de qualquer empreendimento, é necessário não apenas monitorar, mas também antever e se preparar para o resultado de variáveis incontroláveis, bem como de decisões tomadas com base na volatilidade e ambiguidade do ambiente externo, especialmente de atores contrários aos nossos interesses que poderão acarretar em prejuízos.
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