Saindo do clichê: a lógica da segurança residencial inteligente (parte 2).
- bragaluis855
- há 45 minutos
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Enquanto a situação da segurança pública não se resolve no Brasil, resta ao cidadão tomar suas próprias providências para não se tornar estatística na calamidade social que o país se encontra. Contudo, Segurança Privada é um mercado bastante elitizado, fazendo com que muitos recorram a artifícios inadequados baseados no puro medo do crime ou da violência a fim de obter a mera sensação de estar seguro. Isso se reflete frequentemente em sistemas de segurança sem planejamento, projeto ou manutenção, além de totalmente desalinhados do contexto externo geral, resultando em surpresas desagradáveis.
Sendo assim, nosso objetivo com esta postagem não será de instruir acerca dos pormenores técnicos tampouco administrativos relacionados com o planejamento de segurança residencial, mas sim adaptar de forma muito simplificada, as instruções de Inteligência e os padrões internacionais relacionados com gestão de riscos qualitativos da ISO 31.000 à realidade do cidadão comum que não tem condições de contratar uma consultoria especializada na área, tampouco terceirizar serviços como monitoramento eletrônico 24h. Aliás, com esta postagem você entenderá como segurança não se resume à tecnologia, mas também à políticas comportamentais de boas práticas.
Antes de mais nada é essencial enfatizar que não existe proteção sem planejamento, considerando que as medidas não podem ser implementadas de forma isolada, uma vez que o sucesso do sistema dependerá dos recursos em conjunto. A título de ilustração, enquanto a prevenção de furtos estará sujeita a uma segurança perimetral que desestimule a transposição de muros ou grades, os sistemas de controle de acesso e as boas praticas voltadas a redução de rotinas ajudarão a dificultar, e consequentemente desencorajar, eventuais ações de sequestro.
Além disso, embora não exista uma receitinha mágica quando o assunto é o planejamento de segurança, é necessário entender princípios básicos no que tange a importância da proteção por camadas, bem como a adoção do conceito de círculos concêntricos, pois essas teorias são orientadas ao atraso da progressão dos criminosos até a chegada da polícia (capacidade de reação) em uma inesperada tentativa de invasão. Isso significa que a dificuldade para se alcançar os seus ativos mais críticos deverá ser progressiva sempre que possível. Ademais, o sistema necessita de capacidade de detecção, que pode ser reforçada por recursos tecnológicos, como dispositivos de alarme, ou design ambiental inteligente (CEPTED - Crime Prevention Through Environmental Design).
Em vista dos fatos mencionados, antes de se realizar a análise de conjuntura, é fundamental levantar informações básicas em relação à macroconjuntura externa no que tange fatores políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais, além das características em relação as mediações ao imóvel, como presença de tráfico de drogas, facções criminosas e índices gerais de criminalidade e violência, como roubos, furtos e invasões à residências que poderão de algum jeito, afetar a salvaguarda da casa, bem como de seus familiares. Também será necessário avaliar o ambiente interno no que diz respeito pontos fortes e fracos que poderão ser explorados por ameaças já identificadas na análise anterior.
Após realizar esse processo, será necessário listar seus ativos (bens, informações, pessoas e tudo que possua valor) intentando identificar ameaças para cada um deles além das respectivas vulnerabilidades levando em consideração os detalhes já prospectados dos ambientes externo e interno. É importante ser criativo e pensar fora da caixa aqui. Por exemplo: se os índices de casos de fraude contra idosos estiverem altos e alguém da terceira idade estiver morando com você, será preciso considerar o caso (não se limite à segurança física). Esse exame dará uma visão realista de todos os riscos que você e sua família precisarão enfrentar com base na possibilidade de exploração das vulnerabilidades pelas ameaças.
O ultimo passo é listar todos os riscos e desenvolver formas de resposta priorizadas de acordo com o grau de probabilidade, que geralmente é definido pela frequência de casos no ambiente externo e interno (baixa, média e alta), e impacto, que considera a gravidade das consequência do risco materializado (insignificante, moderado e catastrófico). Os controles podem girar em torno da prevenção, da redução, e até mesmo da transferência dos riscos por meio de contratos com seguradoras. Sobre isso, geralmente se transfere riscos de baixa frequência ou com poucas alternativas de mitigação, porém de impacto severo, como roubo de veículos ou morte inesperada. A partir daqui será necessário revisitar essa relação de riscos periodicamente a fim de atualizá-la sobre mudanças de contexto, surgimento de novos riscos ou alteração na probabilidade e impacto dos já identificados.
Por fim, ao considerar a possibilidade de contratar fornecedores de sistemas eletrônicos de segurança, atente-se para questões relacionadas com especificações técnicas, robustez e atualização tecnológica. Lembre-se que sistemas obsoletos possuem vulnerabilidades. Outrossim, equipamentos de boa qualidade devem oferecer baixo custo de manutenção e substituição de peças.
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