Por que Segurança Empresarial e lei de Gerson não combinam?
- bragaluis855
- 7 de jan.
- 3 min de leitura
Muitas empresas negligenciam governança e compliance acreditando que a boa segurança é aquela que oferece uma eficiente cobertura para o cometimento de crimes, esse é o caso do Banco Master e tantas outras corporações que deixaram de existir por conta de escândalos de fraude, corrupção e desatendimento às normas e padrões nacionais e internacionais. Mas será que a segurança empresarial tem mesmo o dever de atuar como um serviço de "contrainteligência" voltado para esconder a criminalidade e a imoralidade empresarial?
Antes e tudo, é fundamental analisar o sentido da expressão "Lei de Gerson", que ganhou força após a frase "Eu gosto de levar vantagem em tudo, certo?" dita pelo jogador Gerson de Oliveira em um comercial dos cigarros Villa Rica em 1976 se tornar símbolo da cultura da malandragem e desonestidade Brasileira. É importante levar em consideração aqui que campanhas publicitárias não são realizadas sem dados, apontando para o fato de que a citação já refletia a mentalidade de grande parte da população do país, e por esse motivo, foi elaborada para gerar identificação com o público.
Contudo, no prisma da segurança empresarial, existe uma lógica por traz de toda lei ou norma, não havendo espaço para corte de custos ou busca por lucros que envolvam irregularidades; e são muitas as irregularidades no âmbito da segurança privada, indo desde a atuação de policiais de folga até agentes de portaria e fiscais de loja fazendo trabalho de vigilante. Isso sem contar com a prestação de serviços de empresas clandestinas. Entretanto, não adianta economizar na terceirização de serviços de vigilância patrimonial se expondo a riscos legais e de reputação derivados de pessoas exercendo indevidamente a função de vigilante.
Além disso, conheço muitos consultores de segurança que se metem diretamente em áreas que exigem formação técnica ou superior especifica, como segurança do trabalho e prevenção e combate a incêndios. Eu sempre os repreendo quando tenho oportunidade pois isso não é questão de ser certinho, mas sim de ter compromisso com a qualidade do serviço prestado, tendo em conta que casos como o da boate Kiss e do Ninho do Urubu não faltam como exemplos no Brasil, além dos elevados índices de acidentes de trabalho que geram perdas milionárias e impactam a produtividade das companhias.
Como eu já abordei em uma outra postagem, o sistema de segurança é totalmente integrado, por isso a falha de um componente pode afetar todos os outros como em um efeito dominó. Assim, a desatenção para com as normas de segurança e medicina do trabalho pode comprometer a atuação de um vigilante ou operador de monitoramento eletrônico e ainda provocar sinistros, ocorrências e ações trabalhistas para a empresa, lesando seu patrimônio, imagem e relações comerciais.
Do mesmo modo, a negligência em relação a um projeto de automação predial no que tange dispositivos de condicionamento de ar e umidade pode atingir o funcionamento de datacenters e prejudicar a estrutura de segurança da informação, bem como os sistemas de segurança eletrônica.
Portanto, é fundamental compreender o caráter holístico que a segurança empresarial conquistou ao longo dos anos. Não é mais o nosso papel como profissionais proteger a organização apenas contra roubos e furtos, mas sim planejar, organizar, dirigir e controlar o funcionamento do sistema de segurança a fim de garantir a sobrevivência do NEGÓCIO contra ameaças de qualquer natureza com potencial de interferir na sua trajetória. Em outras palavras, se adequar às normas é tão importante quanto monitorar e fiscalizar o cumprimento delas quando o tema é segurança corporativa.




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