Por que 90% dos dados necessários a produção de conhecimento hoje em dia, são públicos?
- bragaluis855
- 13 de abr.
- 2 min de leitura
A maioria dos anúncios de Detetive Particular no Google se tratam de golpes, principalmente aqueles que prometem "grampo" de celulares à distância, pois além de ilegal, não é possível dar garantias a esse serviço tendo em conta que ele depende de vulnerabilidades especificas. Essas vulnerabilidades giram em torno do aparelho, da rede e do próprio usuário. Sendo assim, na maioria dos casos, você paga a pessoa para realizar esse trabalho e ela começa a te chantagear, ameaçando te entregar para o alvo da investigação caso você a denuncie. É lógico que há exceções, principalmente nos casos onde o criminoso tem contatos nas operadoras, órgãos policiais ou mesmo fornecedores clandestinos de equipamentos voltados à aplicação da lei.
De qualquer maneira, devido ao risco, quem realmente tem essa expertise (Phreaker) só trabalha para um grupo seleto de clientes; não usa AdSense tampouco fica chamando atenção por aí. Portanto, contratar detetive privado é sempre um perigo, pois deve-se ter em mente que ninguém faz milagre. De preferência, vá ao escritório e converse sobre o assunto pessoalmente, tendo em conta que profissionais qualificados na área de Inteligência e Investigação privada devem estar aptos para obter dados sem recorrer a recursos intrusivos, como interceptações de sinais telemáticos.
A título de exemplo, na semana passada eu falei a respeito de monitoramento informacional (leia aqui) e assustei muita gente na hora de exemplificar entidades e pessoas que podem se tornar alvos de vigilância pela Inteligência estratégica de segurança, pois não faltaram supostos comentaristas sobre segurança pública insinuando que esse tipo de atividade é clandestina. Contudo, não tem bicho de sete cabeças no que tange prospecção de dados hoje em dia, tendo em conta que tudo pode ocorrer por intermédio de parcerias, compartilhamento de informações e reunião de dados públicos relativos à publicações em diário oficial, mídias sociais e até veículos de imprensa.
A parte do software e do hardware de ponta que mencionei, tem relação com a necessidade de coleta, armazenamento e processamento informatizado devido a quantidade de conteúdo massivo. Mas tudo pode acontecer através de APIs (Application Programming Interface) oficiais fornecidas pelas próprias plataformas, bem como compilação e monitoramento em tempo real de palavras-chave georreferenciadas e web scraping (raspagem de dados). Posteriormente esses dados são analisados e transformados em conhecimento por especialistas em criminologia e segurança.
Em suma, o processo de coleta de dados, seja visando a produção de relatórios de investigação ou especialmente conhecimentos de Inteligência, se dá via OSINT (open source intelligence), não requerendo ação intrusiva, considerando que a maior parte dos elementos necessários para se realizar projeções e analises de padrões e tendências, são públicos. Há inclusive, provedores que fornecem dados históricos ou em tempo real, um exemplo é o próprio GNIP, do X (antigo Twitter). Portanto, atualmente ninguém precisa mais recorrer ao mercado negro ou à DarkWeb para se ter acesso às informações básicas a trabalhos dessa natureza.




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