Lições de Inteligência para o Brasil na captura do ditador Venezuelano.
- bragaluis855
- 13 de jan.
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Geopoliticamente falando, papel aceita tudo, pois os países só entendem a linguagem da diplomacia, da dissuasão, dos embargos, das tarifas e das quotas comerciais ou mesmo das ações e alianças militares. Por esse motivo, é um erro analisar conflitos pela ótica do "direito internacional", tendo em vista que o conceito de realismo estrutural se aplica melhor a esse tema. Isso ocorre pois as nações são limitadas apenas por meio do constrangimento internacional, bem como por suas próprias capacidades, sobretudo militares.
Nesse cenário, a invasão à Venezuela e captura do Ditador Nicolás Maduro abriu um precedente perigoso e um potencial início da caça às Bruxas e intervenção nos países da América do Sul, tendo em conta o valor da nossa região no quesito minerais estratégicos e defesa da hegemonia norte-americana, freando o avanço de países como China e Rússia por aqui. Mas quais foram as lições que esse evento deixou para o Brasil na perspectiva da atividade de Inteligência, fator crucial para a operação no país vizinho?
Em primeiro lugar, é uma baita desinformação essa de que a extensão do território Brasileiro poderia impedir uma "invasão"; no mínimo pode dificultar, pois para tomarem nossas riquezas naturais, bastaria investir em propaganda e operações de dissimulação estratégica a fim de legitimar uma ação militar em nosso território como fizeram na Venezuela no caso dos "Cartéis". Em seguida, bastaria botar pressão, seja por meio de bloqueios marítimos ou ações indiretas, além de ataques de precisão cirúrgica às estruturas importantes para o Brasil até a gente ceder.
Logo, quando o assunto é operações de comunicação, se antecipar é fundamental através da preparação das respostas às narrativas diversas que podem ser criadas em um cenário hipotético. Essas ações de propaganda adversa e desinformação podem girar em torno da integridade do nosso sistema eleitoral visando levantar bandeira sobre "defesa da democracia na américa latina" e também das nossas organizações criminosas intentando justificar perseguição a "narcoterroristas". Outro fator importante tem relação com a preservação ambiental que pode abrir brechas para intervenção externa.
Além disso, sabe-se que a ação de captura teve apoio de fontes de Inteligência humana. Nesse quesito, o Brasil sempre pecou por ser muito "braços abertos" a imigrantes de todas as nações, e se levarmos em consideração as fronteiras terrestres continentais pouco vigiadas; nossa costa do Atlântico sul escancarada para o resto do globo e as diversas pistas de pouso clandestinas, o risco de infiltração de oficiais de Inteligência clandestinos por aqui é significativo, sendo necessário investimento massivo nas Forças Terrestre (Exército), Aérea (Força Aérea) e Naval (Marinha) a fim de que seja possível realizar a implantação de batalhões de fronteira; rastreamento de pousos de decolagem e patrulhas fluviais, além do endurecimento dos controles de imigração que hoje favorecem a chegada de "recrutadores" livres para atuar sem o menor acompanhamento pela Abin.
Ainda, se especula a respeito de ataques cibernéticos à rede elétrica da Venezuela, acompanhados de atividades de guerra eletrônica visando interferir nos sistemas de comando e controle do país. Sobre isso, em termos de poder cibernético, os EUAs estão no topo da espionagem e defesa cibernética através do U.S Cyber Command (USCYBERCOM), enquanto o Brasil ainda engatinha, tendo em vista a recente introdução do tema (comparado a outras nações) na estratégia nacional de defesa, seguida por algumas parcerias e tratados de não agressão por "armas de informação", sendo necessário investimento em larga escala.
Por causa disso, o baixo poder cibernético e tecnológico em geral pode colocar em risco, especialmente, nosso sistema de comando e controle militar em cenários assim, além do restante da nossa infraestrutura crítica. Contudo, o capitalismo mais forte torna a infraestrutura civil dos norte-americanos mais vulnerável à ciberataques devastadores, que mirem por exemplo, o sistema elétrico e ferroviário do país, tendo em conta a baixa ingerência do Estado em muitos setores. Isso faz com que eles dependam mais de "tratados" internacionais nesse sentido se levarmos em conta o risco de resposta por parte das nações atingidas, que podem não se limitar aos alvos militares, fazendo com que pensem pelo menos duas vezes antes de lançarem a mão nesse tipo de expediente, favorecendo a capacidade dissuasória dos países menos desenvolvidos nesse campo, como o Brasil.
Em resumo, o ocorrido na Venezuela deixa várias lições a respeito de Inteligência e Contrainteligência para o Brasil no que tange o investimento em desenvolvimento cientifico e tecnológico que proporcione inclusive, a potencialização da capacidade de defesa do ciberespaço brasileiro, permitindo uma melhor atuação da contrainteligência e defesa das nossas infraestruturas críticas, tanto civis quanto militares. Também é necessário melhor controle de imigração e vigilância de fronteiras visando evitar a entrada de agentes clandestinos (espiões) no país. De resto, é imperioso a preparação de ações de propaganda e contrapropaganda orientadas para neutralizar narrativas criadas para legitimar atividades opostas aos nossos interesses, fator que eu acredito ser central para o Brasil dada a nossa projeção internacional, que se torna dissuasiva.




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