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Caso Eloá e a importância da comunicação centralizada no porta voz, bem como o isolamento do ponto crítico em crises.

  • bragaluis855
  • 24 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 25 de nov. de 2025

Não foi o sensacionalismo midiático ou a equipe do programa da Sonia Abrão que matou Eloá, foi a inexperiência da polícia da época que ainda estava engatinhando em relação a doutrina de gerenciamento de crises policiais no Brasil. Não havia comunicação centralizada em um porta voz, tampouco um isolamento do ponto crítico como há hoje. Isso permitiu que a imprensa conseguisse entrar em contato com Lindemberg pelo telefone da casa e que acompanhava toda a repercussão do caso pela TV, atrapalhando as negociações e resultando na morte da vítima. Digo vítima pois Eloá NÃO era refém (moeda de troca), tendo em vista que ela era o alvo do ódio.


Nesse sentido, na posição de vítima, a negociação deveria girar em torno de uma abordagem hard-line, ou seja, visando criar a oportunidade para a invasão tática ou o tiro de comprometimento. Contudo, outro fator crucial para o insucesso da ação foi a interferência do governo contrário à necessária neutralização de Lindemberg, somado ao possível despreparo do GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) na época em relação às técnicas de menor potencial lesivo (não letais). Também foi sinal de falta de maturidade da doutrina de crises, o retorno da amiga de Eloá, Nayara Rodrigues, ao ponto crítico.


Além disso, os policiais tiveram que alugar uma casa ao lado visando escutar por meio de um copo encostado na parede, evidenciando a precariedade de recursos. Entretanto, desculpas em relação à tecnologia de 2008 não colam, considerando que já havia scramblers para bloquear sinais de celular, bem como microfones a laser que modulavam a voz de acordo com a vibração emitida por objetos refletores, como janelas e espelhos no ambiente. Havia até mesmo microfones parabólicos ou de contato, conhecidos como Crack Throughs, que permitiam ouvir à distância ou simulando um estetoscópio.


Em suma, embora eu seja um grande crítico da abordagem da imprensa sobre a segurança pública, neste caso a culpa não foi dos jornalistas, pois eles não tinham obrigação de entender o processo. Assim, é possível obter valiosas lições a respeito do gerenciamento de crises analisando este caso, pois até mesmo na iniciativa privada, se não for dada a devida atenção à segurança das informações, mantendo a comunicação centralizada no porta voz da empresa, a crise pode se agravar, afetando os negócios da corporação independente da natureza do evento.


 
 
 

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