As aventuras militares de Donald Trump colocam o Brasil em risco? Análise na perspectiva da Inteligência.
- bragaluis855
- 9 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: 10 de mar.
A prisão do ditador Nicolás Maduro na Venezuela e o apoio dos Estados Unidos a Israel na guerra contra o Irã fomentaram uma série de especulações a respeito dos riscos para o Brasil considerando os interesses geopolíticos dos norte americanos na américa do sul. Contudo, além dos impactos econômicos derivados dos ataques iranianos ao Estreito de Ormuz, bem como os perigos à comunidade judaica e demais envolvidos no Brasil no que se refere a terrorismo, fica à dúvida: existe alguma chance de operação militar estadunidense por aqui? De antemão a resposta é... sim!
Porém, para que isso aconteça, seria necessários além de pretextos para legitimar a ação, uma série de medidas voltadas ao campo informacional a fim de mitigar as consequências diplomáticas da invasão a uma nação soberana como o Brasil. Outrossim, é fundamental entender o conceito de operações de informação, que podem ser levadas a cabo por meio do recrutamento operacional de agentes de influencia, ou seja, pessoas imbuídas de prestigio social e credibilidade obrigadas ou convencidas a servirem aos interesses de outro país.
Esses agentes de influencia podem ser cidadãos formalmente abordados ou simpatizantes aos interesses dos Estados Unidos. No geral, sempre são sujeitos atrelados a cargos de confiança, ou mesmo empresas, jornalistas e influenciadores dotados de grande credibilidade e expressão social capazes de mover a convicção das massas. As formas de recrutamento podem ser diversas, como dinheiro, ideologia, ressentimento e até chantagem relacionada a segredos cujo alvo não deseja que venham a público. Ademais, as operações de comunicação exigem também apoio massivo da inteligência orientada a resultados no espaço cibernético. Em outras palavras, pode se valer de robôs e informações intencionalmente tradadas (desinformação) lançadas na web, especialmente nas mídias sociais.
Nesse sentido, o Brasil é um país soberano e democrático. Logo, ele não se compara a ditaduras como Venezuela, Irã e Cuba. Nossa projeção internacional é grande e os custos políticos e comerciais derivados de uma invasão ao nosso território seriam imensos se levarmos em consideração que isto aqui é um playground para comunidade de Inteligência estrangeira no quesito operações de comunicação. Isso acontece pois devido a nossa ampla liberdade de expressão, sobretudo de imprensa e pouco domínio do ciberespaço, se torna mais vantajoso para uma superpotência como os EUA influenciar a opinião pública em ano de eleição visando empossar alguém aliado aos interesses de Washington, do que simplesmente tomar o que quer à força e arcar com todas as consequências diplomáticas.
Outro fator que evidencia nossa vulnerabilidade, é a parcela subversiva da oposição ao Governo atual, bem como os altos índices de corrupção, tendo em conta a grande quantidade de pessoas influentes de "rabo preso" ocupando cargos públicos de confiança dispostas a cooperar em troca de silêncio. Por outro lado, é por meio da prospectiva que os tomadores de decisão tomam ciência das condicionantes necessárias ao alcance dos cenários almejados dada determinada conjuntura e definem o que deverão fazer por meio do monitoramento contínuo. Isso significa que, caso a situação dê sinais de que irá tomar rumos desfavoráveis às intenções norte americanas, a abordagem pode mudar.
Em resumo, um dos indicativos contrários ao cenário ideal estadunidense pode ser uma pesquisa eleitoral inconveniente, e é aí que entram as muitas tentativas de dissuasão através do cerco a países vizinhos e narrativas que podem ser criadas para justificar operações militares por aqui. Entre essas narrativas, pode haver questões relacionadas com a classificação das nossas organizações criminosas como terroristas visando justificar operações contra o terrorismo internacional, e até mesmo campanhas de desinformação objetivando por em xeque a credibilidade do nosso poder judiciário e sistema de votação no intuito de fundamentar uma intervenção no país.
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